Imagine um universo alternativo: Melania Knauss no lugar de Kate Middleton na varanda do Palácio de Buckingham. Os eslovenos seriam a nação mais orgulhosa da galáxia naquele momento. Luka Dončić? Seria apenas uma nota de rodapé simpática nas notícias sobre a nova tiara dela. Mas como nossa nativa de Sevnica é casada com "aquele" Donald, temos um problema. Ontem assisti ao infame documentário sobre Melania e a posse do 47º presidente dos Estados Unidos — e, meus queridos, está na hora de nos servirmos de um bom vinho.
Sejamos honestos antes de falarmos do filme. O problema não é Melania, o problema é a patologia nacional eslovena. Em 1991, entramos orgulhosamente na democracia e recebemos novos passaportes azuis, mas não fizemos a atualização necessária em nossas mentes. Estamos presos em uma época em que todo sucesso é suspeito, a menos que seja confirmado pela "opção" correta.
Melania é a prova viva desse paradoxo. E o mais doloroso é que ela sabe disso muito bem. Embora não diga diretamente no documentário que vem de um "ex-país comunista", essa narrativa permanece forte como pano de fundo e dá sentido à sua trajetória. A ironia é perfeita: Temos a primeira-dama do mundo e agimos como se ainda estivéssemos bravos com o vizinho por ter comprado um trator novo. Pura inveja, destilada, envolta em grandeza moral. Você precisa ver o filme para ver um mundo que não é filtrado pelos editores tendenciosos que lhe fornecem os noticiários da noite.
Poesia visual: o glamour de Hollywood na Casa Branca
Se analisarmos o filme sob a perspectiva de um crítico de cinema – digamos que eu escreva regularmente para “revista da cidade"Coluna de crítica de cinema - é um documentário" visualmente impressionanteA cinematografia está à altura de produções de alto orçamento. As transições de câmera são fluidas, a iluminação é divina e Melania atua como uma verdadeira estrela. rainha absoluta do mundoA estética do filme é inegável; trata-se de uma versão do diretor da posse, oferecendo um olhar por trás das câmeras sobre o qual nossa mídia silencia.
O diretor conseguiu capturar aquele brilho raro que normalmente vemos. apenas em filmes sobre a família real britânicaVemos elegância, poder e um estilo que é, francamente, atemporal. A Eslovênia é mencionada duas vezes neste mosaico visual: uma vez através de cristal de alta qualidade de Rogaška SlatinaE em segundo lugar, na parte em que Melania fala sobre o início de sua carreira.
Quando o ritmo para: Muito açúcar, pouca substância?
No entanto, toda medalha, mesmo a presidencial, tem dois lados. Apesar da perfeição visual, o filme sofre da síndrome da repetição. Essas cenas excessivamente "cinematográficas", em que Melania simplesmente caminha ou olha para o horizonte ao som de música dramática, tornam-se simplesmente excessivas em determinado momento.
No meio do filme, o documentário parece parar. Perde o ritmo e a cadência. O espectador espera uma catarse, um grande desfecho, mas tudo o que recebe é mais uma tomada estética do lustre da Casa Branca. A principal crítica? O filme deixa a sensação, ao final, de que não aprendemos nada de realmente novo sobre Melania. Ela permanece um enigma. Não revela seus pensamentos mais íntimos nem oferece o material "de bastidores" picante que se poderia esperar. O segredo permanece cuidadosamente guardado sob camadas de seda cara.
Detalhes que valem mais que mil palavras
Mas onde o filme realmente brilha é... são micromomentosÉ preciso prestar atenção aos detalhes. O toque de mãos entre o presidente e Melania, o olhar fugaz, a linguagem corporal quando pensam que ninguém está olhando. São momentos que o resto da mídia conseguiu esconder ou omitir.
Ali, naqueles segundos, reside a verdade sobre o relacionamento deles. Vemos a química e a aliança que destroem a narrativa de "para conquistar uma mulher"Esta é a parte que mais irritará os críticos e encantará os românticos.
Veredito final: 7,5/10 (e tarefa de casa obrigatória)
Se traçarmos uma linha, Eu daria ao filme uma classificação entre 7 e 7,5.Para um documentário deste tipo, esta é uma avaliação sólida. Não é uma obra-prima cinematográfica do século, mas está longe do kitsch que alguns previram. Embora haja detalhes "dourados" demais para o meu gosto.
Então, por que você deveria assistir? Se você é americano, pela política. Se você é um fashionista, pelas roupas. Mas se você é esloveno, assistir a este filme é seu dever cívico. Não para amar Trump, mas para confrontar seu próprio reflexo no espelho. Para ver o que acontece quando uma garota de Sevnica conquista o mundo, e ainda estamos debatendo se o inglês dela é bom o suficiente. Não é – mas esse não é o objetivo deste documentário.
Prepare a pipoca e abra sua mente. O espetáculo está prestes a começar.





